Subscribeblog

tudo começou com

Tudo começou com o desejo de mapear 100 gestos que marcaram o século XX, na busca de descobrir novas perspectivas para decifrar as corporeidades contemporâneas e suas escolhas estéticas e políticas. Um desejo de criar uma espécie de ‘museu do gesto’, onde pudéssemos observar certos parâmetros de corpo sendo replicados e transformados de geração em geração. Com o apoio do Programa Petrobras de Manutenção a Grupos e Companhias de Dança, esse desejo se transformou em um vasto projeto de pesquisa que se desdobrou em diversas atividades entre 2011 e 2012 – uma série de entrevistas, um grupo de estudos; aulas de corpo e ateliês de criação, espetáculos. Ao longo de todo esse tempo levantamos mais perguntas do que respostas. O que define um gesto? Onde ele começa? Quais as relações entre gesto, postura, atitude, intenção, pensamento, movimento, contexto, linguagem, comunicação? Que gestos nos afetam? Que gestos nos formaram? Que gestos cada um de nós escolheria para uma lista dos 100 mais significativos dos últimos séculos? Ou os 100 mais significativos da própria vida? Uma dança é sempre feita de gestos? O que será que um inventário de gestos pode revelar sobre as escolhas afetivas-estéticas-éticas-políticas dos corpos e de suas danças ?
Na primeira etapa do projeto, que contou com a colaboração do dramaturgo e pesquisador francês Christophe Wavelet, no lugar de tentar responder essas perguntas, fizemos tábula rasa e começamos entrevistando especialistas de várias áreas que se relacionam de alguma forma com o gesto, indagando como cada um deles encontrou a questão do gesto em suas vidas e práticas profissionais. A riqueza destas entrevistas, em sua maioria aqui publicadas, abriu um vasto panorama de interpretação para o conceito de gesto, revelando novos pontos de vista e norteando nossas pesquisas coreográficas e dramatúrgicas. Com uma equipe de seis bailarinos, vindos de lugares e backgrounds distintos no campo da dança, mergulhamos no levantamento de vertiginosas listas de gestos, matéria prima da construção do espetáculo “100 gestos”, que estreou em Agosto de 2012 no Rio de Janeiro.
Mas o projeto não acabou ai. Sentimos a necessidade de partilhar publicamente o riquíssimo processo de pesquisa desse projeto, o que foi possível com o apoio do Fundo de Apoio à Dança (FADA), que patrocinou esta publicação, reunindo as entrevistas, escritos e imagens do processo de criação e do espetáculo final, e um ensaio fotográfico feito especialmente para este livro.
Sem ignorar que o gesto atravessa todos os domínios da comunicação humana, da política à moda, da filosofia à arquitetura, do cinema à psicanálise, o foco principal de nossa pesquisa sempre foi o corpo. Tentar decifrar na gênese do movimento o que se expressa como gesto. Buscar dar visibilidade ao complexo emaranhado de memórias pessoais, aprendizado social e contaminações que tecem a expressão de cada sujeito desde a mais tenra infância e que são uma forma de ser-corpo no mundo. Procurar desvendar universos gestuais particulares a partir das relações que o corpo tece com o peso, com o espaço, com o tempo, com o movimento, com os outros corpos, com o público, com a representação e etc, revelando que o movimento dançado é um discurso. Um corpo que dança revela a especificidade da performance que ele inicia, onde as informações que se processam nele se articulam e se dão a ver com todas as implicações políticas e sociais que lhe são implícitas, seja nas relações com o próprio movimento, seja nas relações que estabelece com a cena e com o contexto no qual está inserido. Nenhum gesto é inocente, nenhuma dança é “só estética”. Cada vez que colocamos um corpo dançando em cena afirmamos um projeto de mundo, dizemos com gestos o que é importante e o que não, o que merece ser apreciado, em que valores acreditamos, quais bandeiras defendemos, mesmo que inconscientemente. Cada projeto estético, por sua vez, não é independente do mundo que o cerca. Foi gestado nesse mundo e com ele dialoga, dando visibilidade a determinados parâmetros, dando voz ou calando algum discurso. E dessa forma colaborando na manutenção ou na transformação dos valores que o engendram. Todas estas relações são extremamente complexas e não devem ser simplificadas, como o fazem os manuais que interpretam os significados dos gestos como se eles não fossem estruturas abertas e plásticas, que se transformam e ganham novos sentidos de acordo com o contexto onde estão inseridos. Como decifrar o complexo emaranhado de memórias pessoais, aprendizado social, contaminações e interpretações que tecem a expressão física de cada sujeito? Não são muitas das nossas escolhas inconscientes e involuntárias, heranças adquiridas nas relações familiares e sócio-culturais, nas informações apreendidas e processadas ao longo da vida?
A aposta em um procedimento inventariante vertiginoso, tanto no processo de pesquisa e criação do espetáculo quanto aqui no livro, optando por uma variedade de abordagens conceituais e universos gestuais, é uma escolha. Fazendo minhas as palavras de Umberto Eco, em “A Vertigem das listas”: Não são as listas e inventários uma “tentativa de dar conta da multiplicidade do mundo, apontando simultaneamente, para os códigos reconhecidos de classificação e para uma maneira particular de captar, por sob as diferenças nomeadas e previstas, os parentescos subterrâneos entre as coisas, suas semelhanças dispersas ? Ou num plano inversamente simétrico: captar, por sob as semelhanças explícitas, as diferenças invisíveis entre os objetos repetidos de uma série?” E existem listas coerentes, que reúnem entidades com algum tipo de parentesco, e listas incongruentes, como a enciclopédia chinesa de Borges, que tanto nos inspirou na confecção dessa coleção de gestos, práticas e discursos, e na qual os animais se dividem em: “a) pertencentes ao imperador, b) embalsamados, c) domesticados, d) leitões, e) sereias, f) fabulosos, g) cães em liberdade, h) incluídos na presente classificação, i) que se agitam como loucos, j) inumeráveis, k) etcetera, m) que acabam de quebrar a bilha, n) que de longe parecem moscas”.
Gostaria de agradecer a todas as pessoas envolvidas no longo processo de pesquisa que culmina nesta publicação, e em especial a Carla Stank, Eleonore Guisnet, Lindon Shimizy, Rodrigo Maia, Thiago Gomes, e Tony Hewerton, por todo tempo e energia dedicados a este projeto, fazendo de seus corpos e subjetividades o nosso campo de pesquisa.

Lançamento do livro “gesto:práticas e discursos”


Dez entrevistas incríveis com especialistas vindos de diversos campos, a propósito das idéias de gesto em suas áreas de atuação – Isabelle Launay (História e Teoria da Dança), Benilton Bezerra (Psiquiatria e Psicanálise), Charles Feitosa (Filosofia), Luis Camillo Osório (Artes Visuais), Silvia Soter (Educação Somática/Dança), Tatiana Rocque (Filosofia da matemática), Massimo Canivacci (Antropologia), Antônio Nóbrega (Cultura popular – Dança e Música), Denilson Lopes (Comunicação e Cinema), Christine Greiner (Comunicação e Semiótica/ Dança).
E mais: escritos e imagens do processo de criação e do espetáculo “100 gestos”, e um ensaio fotográfico feito especialmente para o livro com a colaboração de Fábio Seixo e Mariana Aurélio. Tudo isso lindamente organizado em parceria com Silvia Soter e com a Editora Cobogó.

O que define um gesto? Onde ele começa? Quais as relações entre gesto, postura, atitude, intenção, pensamento, movimento, contexto, linguagem, comunicação? Que gestos nos afetam? Que gestos nos formaram? Uma dança é sempre feita de gestos? O que podem os gestos revelar sobre as escolhas afetivas-estéticas-éticas-políticas dos corpos e de suas danças ?

ainda a vertigem das listas

O LIVRO DO PESO OU O LIVRO DA GRAVIDADE O LIVRO DA MATÉRIA O LIVRO DO TEMPO O LIVRO DO ESPAÇO O LIVRO DOS CONCEITOS O LIVRO DOS TERRITÓRIOS O LIVRO DA COMUNIDADE O LIVRO DO OUTRO O LIVRO DOS AFETOS
GESTOS COTIDIANOS GESTOS QUE ACOMPANHAM A FALA GESTOS ICÔNICOS GESTOS SIMBÓLICOS GESTOS EXEMPLARES GESTOS DEPLORÁVEIS GESTOS EXTREMOS GESTOS REVELADORES GESTOS INAUGURAIS GESTOS DE PROVOCAÇÃO GESTOS DE AGRESSÃO GESTOS DE RESISTÊNCIA GESTOS DE CELEBRAÇÃO GESTOS DE TRANSE GESTO DE PROTESTO GESTOS DE PAZ GESTOS DE SEDUÇÃO GESTOS PROIBIDOS GESTOS INFANTIS GESTOS DA MINHA FAMÍLIA GESTOS DE VERGONHA GESTOS QUE AMEDRONTAM GESTOS ACOLHEDORES GESTOS SEXUAIS GESTOS DE ALEGRIA GESTOS DE AMOR GESTOS EXIBICIONISTAS GESTOS QUE EU NÃO MOSTRO PRA NINGUÉM GESTOS QUE EU GOSTARIA DE TER FEITO

macaco bate palma dragonball aquilo de que somos feitos dedo em riste mad max modelo-manequim pisando na lua batman e robin esse samba que é misto de maracatu samba de preto velho samba de pretutu all that jazz quem são eles, soldado? carlitos beijo na boca oh lord won’t you buy me a mercedes benz se entrega corisco godzilla dançar valsa no colo do pai branca de neve oh yeah ai que preguiça duchamp oba! as panteras os panteras negras merci e bagouet street fighter os 7 samurais josephine baker oscarito abrir as pernas blade runner e da montanha ouviu-se um grito west side story a casa é o corpo vai tomar no cu cansada põe a mão na testa trisha geni guerra nas estrelas alegria alegria beat it de castigo com a cabeça baixa hair punho cerrado valha-me deus nossa senhora guernica bob fosse a um passo da eternidade elvis buscapé ciríaco life is a cabaret kung fu rebolabola jean-luc godard i love to love you baby cid charisse we want you merce cunningham axé escondendo o rosto com as mãos quem não se comunica se trumbica singing in the rain bang bang maysa no to the heroic no to the anti-heroic sexual healing pollock vira vira vira homem vira vira jerry lewis 2001 ring my bell amarcord freak le bumbum excalibur casablanca mary a feiticeira dalí cruzar os braços marylin paz e amor gogo boy alegria é a prova dos nove o sétimo selo dancing queen o povo unido jamais será vencido maracatu atômico tapinha nas costas laban serial killer queimar o soutien kill bill melodrama je t’aime moi non plus supercalifragilisticexpialidocious tocar fogo ao corpo querelle doe a deer a female deer madonna she’s a maniac aperto de mão tom & jerry bruce lee i have a dream cazuza simone de beauvoir greve de fome rizoma super-homem rebelde sem causa john lennon bertold brecht satisfaction carla perez the show must go on o anjo azul maiakovski somewhere over the rainbow salvar a africa i’ve got to be a macho man scarlett o’hara i’ve got you under my skin venha para o mundo de malboro marta graham che hiroshima mon amour pelé heil! live long and prosper passear de mãos dadas on the road tico-tico no fubá she-ha my name is bond joão saldanha meu nome é gal rolando no chão wim embalos de sábado à noite nijinsky frenéticas queda e suspensão purple rain chupa-chupa magal psicose matinê arrastão forsythe bolero de ravel leila diniz ataque de pânico laranja mecânica pin-ups sorrir rosas vogue as preparadas as popozudas o baile todo hang loose kate marrone mascar chicletes release it nunca houve mulher como gilda vietnã aurora king kong uma tigresa de unhas negras isadora cuspir no chão come on baby light my fire pina minha pele é de carnaval jules e jim meu coração é igual

a vertigem das listas

Uma cultura prefere formas fechadas e estáveis quando está certa de sua própria identidade, da mesma forma que quando se depara com uma acumulação confusa de fenômenos mal definidos, começa a fazer listas intermináveis. Há listas por excesso coerente que ainda reúnem entidades que tem algum tipo de parentesco, e há as listas que, em princípio poderiam até não exibir uma extensão exagerada, que são uma reunião de coisas voluntariamente desprovidas de relações recíprocas, tanto que nesses casos costuma-se falar em ‘enumeração caótica’. O exemplo máximo de lista incongruente é o elenco dos animais da enciclopédia chinesa Empório celestial de conhecimentos benévolos, inventada por Borges, segundo a qual os animais se dividiriam em: “(a) pertencentes ao imperador; (b) embalsamados; (c) domesticados; (d) leitões; (e) sereias; (f) fabulosos; (g) cachorros soltos; (h) incluídos na presente classificação; (i) que se agitam como loucos; (j) inumeráveis; (k) desenhados com pincel finíssimo de pelo de camelo; (l) etcétera; (m) que acabam de quebrar o jarrão; (n) que de longe parecem moscas”. Diante das listas de Joyce ou de Borges é evidente que o autor não elaborou listas porque não saberia dizer de outra forma, mas sim porque quer dizer por excedentes, por ybris e gula da palavra, por alegre (raramente obsessiva) ciência do plural e do ilimitado. A lista se transforma num modo de remisturar o mundo, quase colocando em prática aquele convite de Tesauro a acumular propriedades pra fazer brotar novas relações entre coisas distantes ou, em qualquer caso, para colocar um talvez sobre aquelas já aceitas pelo senso comum.
Umberto Eco, em A vertigem das listas

Corpo.DOC: o gesto em questão

Esta quarta-feira, dia 16 de Maio, às 20 hs, no Teatro Cacilda Becker – Abertura do Corpo- DOC : o gesto em questão, dentro da ocupação Dança pra Cacilda.

Entre as atividades, com a curadoria de Dani Lima, a mostra de uma série de entrevistas gravadas com profissionais de varias áreas sobre as idéias de gesto dentro de suas práticas; discussões e palestras.

A cada encontro uma discussão específica envolvendo o gesto e suas interpretações. Onde começa um gesto? Quais são as possíveis relações entre gesto e atitude, gesto e postura, gesto e movimento, gesto e expressão, gesto e comunicação, gesto e linguagem, gesto e psiquê ….. ?

16 de maio: Gesto e Corpo, com Silvia Soter

O que entendemos por gesto a partir de uma abordagem de educação somática? O que diferencia gesto e movimento, korpse e soma?

Mediação – Dani Lima

Participação: Alice Ripoll

Outros encontros:

13 de junho: gesto e psicanálise

11 de julho: gesto e filosofia

25 de julho: gesto e dança

22 de agosto: um gesto brasileiro?

os sete gatinhos | janeiro 2012


fotos de Paula Kossatz

atividades compartilhadas | março e abril de 2012

A Cia Dani Lima foi contemplada com o patrocínio da Petrobras através do Programa Petrobras Cultural de Manutenção de Grupos e Companhias de Dança. O patrocínio tem possibilitado o desenvolvimento do trabalho da companhia durante os anos de 2011 e 2012, promovendo a continuidade de suas atividades regulares, a circulação do seu repertório, a realização de intercâmbios multidisciplinares e de atividades de formação e pesquisa, além da produção e difusão de uma nova criação. Dando continuidade às atividades compartilhadas de 2012, a Cia Dani Lima segue partilhando gratuitamente, com profissionais do corpo e da cena, seu treinamento regular. As vagas são limitadas e é necessário se inscrever mandando um BREVE currículo para o e-mail danilimaresidencia@gmail.com.
Inscrições abertas para as aulas de Andrea Jabor e Dani Lima até 4 de Fevereiro. As aulas de Marcela Levi e Esther Schorr Raphael, só serão aceitas inscrições de pessoas já familiarizadas com seus trabalhos.
Local: Rua Joaquim Silva 56 , 10° andar, Lapa, Espaço Companheiro das Artes

Março e Abril/ quartas e sextas de 9 às 10:30 hs
Andrea Jabor | Arquitetura do Corpo em Movimento
A aula propõe libertar a expressão e o ser dançante de cada um ao investigar como o corpo em movimento reflete nosso estado de espírito, nosso pensamento e nossa forma de estar presente no espaço. O objetivo é entrar em contato consigo (seu corpo, sua percepção interna, sua dança) e com o outro (pelo toque, condução e improvisação), através de exercícios de contato-improvisação, jogos lúdicos e ritmos dançantes, para despertar a expressão espontânea do corpo e encontrar fluência e ritmo na arquitetura do corpo em movimento.
Andrea Jabor é coreógrafa, bailarina e diretora da cia. Arquitetura do Movimento, que completa 11 anos. A companhia possui um repertório com mais de 10 espetáculos apresentados no Brasil e na Europa. Andrea também trabalha como diretora de movimento e preparadora corporal para teatro e cinema. Tem Graduação pela “School for New Dance Development”, Amsterdam, Pós-graduação em dança pela UniverCidade/RJ e especialização pelo “Laban Centre” de Londres. Recentemente concluiu uma trilogia e pesquisa sobre as matrizes da dança do samba. www.andreajabor.com.br

Março e Abril/ quintas de 9 às 10:30 hs
Dani Lima | Ferramentas para improvisação e composição de movimentos
Experimentações, improvisações, jogos e composições instantâneas buscarão estimular o acesso ao imaginário, o domínio de ferramentas diversas, a diversificação da palheta gestual, a autonomia, a capacidade de escuta e de concentração e a prática coletiva.
Dani Lima é bailarina, coreógrafa e diretora da Cia Dani Lima, com a qual tem produzido diversos espetáculos e atividades desde 1998, circulando nacional e internacionalmente. Professora do Curso de Dança da UniverCidade – RJ e mestre em Artes Cênicas pela UNIRIO, publicou o livro “Corpo, política e discurso na dança de Lia Rodrigues”. Colabora com vários artistas e grupos de dança, teatro, circo e artes visuais.

Março
segundas de 9 às 10:30 hs |Esther Schorr Raphael | Feldenkrais
terças de 9 às 10:30 hs | Marcela Lei | Treinamento Grotowsky

# grupo de estudos
O grupo de estudos começou suas atividades em 2 de maio de 2011, com encontros semanais, sob a coordenação de Silvia Soter. O objetivo do grupo é estudar a respeito do gesto, a partir da variedade de compreensões e práticas que encerram este conceito.
Quarta, dia 7 de março de 2012, de 10 às 12 hs – Encontro com a filósofa Luisa Buarque. Discussão sobre o texto “Notas sobre o gesto”, de Gorgio Agamben
Para acompanhar a bibliografia e as discussões do grupo de estudos, assim como as atividades partilhadas e o processo de pesquisa e criação do projeto 100 gestos, acessar http://100gestos.blogspot.com/
http://www.facebook.com/pages/100-Gestos

resenha crítica

os 7 gatinhos no projeto InDrama

dias 26, 27 e 28 de Janeiro, às 19 hs, na Casa França Brasil

CRIAÇÃO E INTERPRETAÇÃ0 Alex Cassal, Carla Stank, Eleonore Guisnet, Lindon Shimizu, Raquel Karro, Rodrigo Maia, Thiago Gomes, Tony Hewerton | TRILHA SONORA Rodrigo Marçal | ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO Raquel Karro , Rodrigo Maia | DIREÇÃO Dani Lima | COLABORAÇÃO Alex Cassal | DIREÇÃO DE PRODUCÃO Neco FX | Agradecimento especial : Neville de Almeida, por ter cedido gentilmente trechos do filme Os sete gatinhos.

o projeto InDrama

Durante seis meses a Casa França Brasil tem sediado, uma vez por mês, desde Setembro de 2011, uma interação dramatúrgica em suas exposições.
Com curadoria da diretora Christiane Jatahy,  seis artistas de diferentes áreas criarão performances a partir de peças de Nelson Rodrigues para interagir com o espaço da Casa França Brasil e com as exposições de Valérie Belin e Ivens Machado. São eles: João Saldanha, Foguetes Maravilha, Guga ferraz, Domenico Lancelotti, Dani Lima e Christiane Jatahy.

os sete gatinhos

Primeiro ato primeiro quadro
Bibelot e Aurora se encontram pela segunda vez.
Voici as rubricas de Nelson pra essa cena. Dá pra imaginar do que se trata?

Baixo e carinhoso
Numa alegre mesuar
Tentada
Num frêmito delicioso
Alegre
Achando graça
Sem saber explicar
Vacila
Pigarreia
Ri
Deleitada
Andam alguns passos
Estaca
Tirando um pigarro
Rápida
Com o pânico da ditancia
Com doce ironia
Um pouco incerto
Suspirando sôfrego
Doce e triste
Incisivo
Incisiva tb
Com certo deslumbramento
Faz um gesto como se lavasse as mãos
Rápida, a queima roupa
Com breve hesitação
Muda de tom
Ergue o rosto duro
Sôfrego
ressentida
atônito
veemente
atarantado
enfática
com certa vaidade
com maior ênfase
completando a frase anterior
com novo interesse
com breve vacilação
animado
desconcertada
em brasas
amarelo
muda de tom
faz um aceno
afasta-se
aflita
agarra-lhe o braço
no seu brusco desejo
transfigurada
na sua vaidade
fascinada
mais taxativo
muda de tom
incerto
sem entender
feliz
na maior confusão
pausa
sôfrega
estrebucha
deseperada no desejo
quase chorando
despreende-se
no seu despeito de fêmea
brutal
tem uma pane de vontade
correm
estica eufórico
insultada
feliz
muda de tom
mordida de ciúmes
trocista
puxando-a
ralhando
muda de tom
eletriza-se em volúpia
no seu frenesi
ralha baixo
muda de tom
num meio sorriso sórdido
apruma-se
sôfrega, segurando-o pelo braço
sem ouvi-la, apontando
brutalmente
atônita
estupefata
deseperada
espera
na sua indignação
no seu despeito
param
sôfrego
asssutada, olha para os lados
já em abandono
com deseperado amor
no seu deslumbramento de fêmea
na impaciência do desejo
puxa
resiste
num apelo
brutal
deseperada
em volúpia
eufórico e brutal
desabotoando o sutiã
arquejando e rindo
feroz e triunfante
numa exibição do próprio nu
numa alucinação
trincado os dentes de volúpia
numa medonha histeria
em delirio

decifrando Nelson

“É uma mulher casada, conhece o amor, não é pura. … fazes bem em humilhar mamãe. Ela precisa expiar, porque desejou o amor, casou- se. E a mulher que amou uma vez, o marido ou não – não deveria nunca sair do quarto. Deveria ficar lá, como num tumulo”. (Álbum de família)
“Quando se ama, deve-se possuir e matar a mulher. A mulher não deve sair viva do quarto. Nem a mulher, nem o homem”. (Álbum de família)
“Quero que vc não se esqueça: O sexo nunca fez um santo, o sexo só faz canalhas” (o anti NR)
“Sabes o que eu acharia bonito, lindo, num casamento? Sabes? Que o marido e a mulher, ambos se conservassem castos, castos um para o outro, sempre, de dia e de noite, olhando um para o outro até o fim da eternidade”. … ( A mulher sem pecados)
“Conhecer o amor, mesmo que do próprio marido, é uma maldição. E aquela que tem a experiência do amor, deveria ser arrastada pelos cabelos…” ( A mulher sem pecados)
“O fato de vc mesma olhar o próprio corpo é imoral. Só as cegas deviam ficar nuas”… ( A mulher sem pecados)
“Como é obsceno um rosto.Porque permitem o rosto nu?” ( A mulher sem pecados)

os sete gatinhos

Começaram os ensaios da intervenção performática que faremos no projeto InDrama, na Casa França-Brasil, a partir da obra de Nelson Rodrigues. Nossa tarefa são os 7 gatinhos.

Sábato Magaldi: O puritanismo esconde sempre a violenta repressão ao sexo/ Violenta nostalgia rodrigueana de pureza/ Só se conhece um relativo repouso quando se domou a indisciplina do desejo /A repressão do desejo que gera a explosão das taras, incestos e mortes violentas /Nelson não vê salvação fora da graça. Nesse moralismo radical, o corpo torna-se antonimo de santidade. … Para o dramaturgo a única salvação possível do homem esta no amor, sentimento que o absolve do exílio terrestre.

Nelson Rodrigues: O degradado absoluto não existe e em cada um de nós há um santo enterrado como sapo de macumba. Esse santo pode explodir a qualquer momento/ Desde garoto eu me preocupo com a eternidade do amor. Quando sei que um vago casal se separou, sofro com isso. É quase uma dor pessoal, quase uma ruptura na minha vida. Mas as pessoas se separam pq realmente não amavam. Agora mesmo, aos 61 anos de idade, acho que a pior forma de adultério é a da viúva que se casa novamente. Mas se casa porque não conhecia o amor. Sou absolutamente a favor da fidelidade, inclusive masculina, é uma nostalgia do amor eterno.

uma thelma entre nós

Na semana do 5 ao 9 de Dezembro, a coreógrafa paulista Thelma Bonavita deu uma oficina pro grupo. Um delírio delicioso, gogoiages picantes, brincadeiras seríssimas…

tudo é tradução
existe livre arbítrio? escolha, edição, decisão?
não se trata de acreditar na realidade, mas criar uma realidade, manipular a realidade
representação X transdução/ tradução – é de verdade e é de mentira
pra tudo precisa de hierarquia, mas ela pode rodar, alternar a liderança
o jeito que a gente se comunica = jeito que a gente performa = jeito que a gente pensa
“a palavra que eu uso me inclui nela”
reciclagem ? não interessa querer mexer no produto final, mas pensar e mudar como a gente tá fazendo as coisas
trazer a porta do botequim pra cena, brincadeira é coisa séria
o corpo deixou de ser só o corpo
a espontaneidade é um mito, mito da essência
modulações: nada é, tudo está
ambiguidade de cada gesto
ecologia dos saberes

e a Carlinha fez lindamente o dever de casa

definição por essência X definição por propriedade

“A oposição entre forma e elenco aponta para 2 modos de definir as coisas. O sonho de toda filosofia e de toda a ciência, desde as origens gregas, sempre foi o de conhecer e definir as coisas por essência, e partir de Aristóteles a definição por essência tem sido aquela capaz de definir uma determinada coisa como indivíduo de uma determinada espécie, e esta, por sua vez, como elemento de um determinado gênero. Já a definição por propriedade é a que se usa quando não se tem a definição por essência ou quando a definição por essência não é satisfatória. Portanto, é própria de uma cultura primitiva, que ainda não chegou a construir hierarquias de gêneros e espécies, ou de uma cultura muito madura (e talvez em crise) que pretende por em questão todas as definições precedentes.
Uma definição por propriedade é, segundo Aristóteles, uma definição por acidentes. Se a definição por essência leva em conta as substâncias, presumindo que se sabe quais e quantas são (por exemplo, vivente, animal ou vegetal), um definição por propriedade leva em conta qualquer acidente possível. (…) A realidade é que raramente damos definições por essência, mas antes, com maior freqüência, por lista de propriedades. E eis que então todos os elencos que definem uma coisa através de uma série não finita de propriedades, embora aparentemente vertiginosos, parecem se aproximar bem mais do modo como definimos e reconhecemos as coisas na vida cotidiana (e não nos departamentos científicos).”
De A vertigem das listas, de Umberto Eco

listando

O LIVRO  DO PESO

Ceder

Dar

Resistir

Entregar

Sustentar

Abandonar

Pressionar

Empurrar

Cair

Suspender

Flutuar

Voar

Levantar

Abaixar

Receber

Impulsionar

Transferir

 

Buda Kunstencenter, Bélgica

Aqui faz frio, mas dentro é quente e o espaço simplesmente incrível para trabalhar. 5 salas enormes, cedidas para as residências/pesquisas/ ensaios/ pirações dos artistas, que privilégio.

1 velho em cena lê listas sem parar.

Não existe gesto inocente.

Deixar o inesperado aparecer pelo ato de juntar coisas aparentemente desconexas.

Uma imagem que se encerra em si mesma X uma imagem que indica sua continuidade pra fora de si, sua infinitude.

árvore genealógica X rizoma

Conversations à la table – em Kortrijk

Estamos aqui na Bélgica, Alex Cassal e eu, numa residência no Kunstencentrum BUDA, na cidade de Kortrijk, que faz parte do festival Europália.

Temos um grande estúdio pra tabalhar onde ficamos fazendo intermináveis listas de gestos e listas de listas de gestos, e discutindo e lendo “A vertigem das listas”, do Umberto Eco.

 

100 gestos em processo no Corpo.doc_LAB do Panorama

Ezster

Vamos fazer uma breve oficina com bailarina e coreógrafa húngara, radicada em Berlim, Ezster Salamon. A oficina vai se concentrar na questão da transmissão de memória, assunto que permeia a obra da coreógrafa há tempos e que aqui se cruza com o projeto 100 gestos.

Para quem quer conhecer um pouquinho do trabaho da Ezster , fragmentos da peça “Dance #1 / Driftworks”

encerrando os encontros de improvisação por uns tempos

Vamos dar uma pausa nos encontros “Ferramentas de improvisação e composição de movimentos”, liderados por Dani Lima durante os meses de Agosto a Outubro deste ano. A causa é que a companhia se concentra agora na demonstração do processo de “100 gestos”, dia 7 de novembro, no Panorama de dança, e em seguida na criação de uma intervenção performática baseada em “Os 7 gatinhos”, de Nelson Rodrigues, que a companhia apresentará dentro do projeto In Drama, na Casa França-Brasil, em final de Janeiro. No meio do caminho, Dani fará uma residência com Alex Cassal, no BudaKustenCenter, na cidade de Kortrij, na Bélgica, no contexto do festival Europália + Next festival.
Os encontros de improvisação foram muito especiais e estamos nos organizando para voltar com eles a partir fevereiro de 2012.

Atividades compartilhadas outubro e novembro

Atividades Compartilhadas
Outubro e Novembro

# A partir de 27 de Outubro
quartas de 9 às 10:30 hs |Esther Schorr Raphael | Feldenkrais

# 1 e 2 de Novembro
de 11 às 16 hs | workshop com Eszter Salomon | About Transmission

# Grupo de estudos – 31 de Outubro, das 19:30 às 21:30hs – Convidado: Charles Feitosa – O gesto em Villem Flusser

Acompanhe o desenvolvimento das atividades em http://www.facebook.com/pages/100-Gestos e http://100gestos.blogspot.com/

aulas de outubro

 

As aulas de Andrea Jabor vão prosseguir até dia 19 de Outubro, sempre às segundas e quartas, de 9 as 10:30 hs e os encontros com Dani Lima – “Ferramentas de improvisação e composição de movimentos” vão seguir até 28 de Outubro, sempre de 9 às 11 hs.

início

 

Anita, Leo e Tony
As aulas de ferramentas de Improvisação e Composição de movimentos estão sendo uma delícia. Novas pessoas, novas trocas, novos lugares.